Anda meio distraído pela rua?
Todos temos muitos problemas, mas olhe uma vez para o seu lado!
É, tem uma criança ali sentada.
Você tem razão...Parece que ela está com fome, mas a sua resposta é quase sempre a mesma:
- Vou ficar te devendo, hoje eu não tenho trocado.
- Ai, eu tenho uma pena destas crianças pedindo coisas na rua.
Mas você segue indiferente a tudo que viu, e cinco minutos depois, estou sendo otimista arriscando um tempo tão alto.
- Você viu o meu Nike novo?
- Quanto custou?
Quase nada, só a escravidão de alguns trabalhadores, que por pura ironia do destino nunca terão dinheiro para comprar o tênis que fabricam, é uma escolha muito difícil de fazer. O tênis ou a comida?
Você preferiu seu tênis, porque aquele garoto do semáforo, que mais uma vez ficou sem comida vai escolher o tênis da próxima vez. Mas cuidado que pode ser o seu, ou o seu relógio, carro e quem sabe ele não entre na sua casa para escolher mais algumas coisinhas.
Agora ele é um marginal.
Mas ele tentou, procurou um emprego, mas não sabia escrever para preencher o formulário de inscrição, daí foi para o semáforo pedir dinheiro, mas escutou muito não, teve uma idéia: - Lavar o vidro dos carros parados no semáforo!
Mas a máfia já estava instalada, e quando tentou trabalhar apanhou por estar ocupando o lugar de outro.
Tentou ir para a escola, mas o pai disse que isso não daria futuro e o levou para trabalhar ainda criança.
A rua sempre foi melhor que sua casa, talvez por ter mais lugares para se esconder, num destes lugares escuros, onde vários iguais a ele se escondiam. Ali teve a sua primeira viagem, onde tudo o que viveu o levou a pensar em coisas que nunca havia passado pela sua cabeça. Assim como nas drogas, foi ali que ele pegou o primeiro revolver e viu o cara mais considerado da quebrada passar com um carrão com rodas bacanas e duas minas abraçadas com ele. E ali teve a dúvida de que sua vida, do modo em que estava não valeria a pena, e chegando em casa (na verdade um barraco feito de lona, porque o barraco que era feito de madeira foi levado na última enchente), olhou suas esperanças, jogadas no chão com um litro de cachaça nas mãos, e teve a certeza de que o revolver o tiraria daquela vida.
Aos quinze anos se tornou ladrão bem sucedido, sem apavoro chegava, fazia o que tinha que fazer e ia embora sem machucar ninguém.
Pronto, descobriu-se bom ladrão.
De tanto levar porrada ele decide um dia bater, escolhe a sociedade para saco de pancada, e a “sociedade cega” tenta revidar, sem nunca perceber que já bateu o suficiente para deixar marcar irreparáveis em um cidadão que hoje é um marginal, e essa “sociedade cega” que só tem olhos para o seu umbigo lipoaspirado e com um pircings, continua a bater e a deixar marcas em outros cidadãos.
Mas mesmo assim, quando você para em um semáforo, ainda fecha o vidro...
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