terça-feira, 11 de junho de 2013



espero que seu amargo,
um dia, sem esperar!
amanheça um tando mais doce...
de amor
assim, sem mais nem menos,
viajando pelo ar … dor
mudando de sabor
adoçando o seu rancor


Eu sou do tempo em que esperava ansioso pelas revistas Playboy.
A Playboy era uma revista com preliminares, não se ia até as páginas centrais de imediato. Folheava-se a revista, eu gostava de ler as cartas dos leitores, entrevistas, ótimas por sinal, matérias interessantes, não era uma revista de putaria, era uma revista sensual, elegante. Para só depois chegarmos as divas.
J.R Duran, como sabia explorar a beleza do corpo feminino.
E não parava nas mulheres nuas, você queria ler mais sobre a revista, sabendo-se que depois também haveria as coelhinhas, depois as 20 perguntas, que era como uma segunda entrevista, e finalmente as piadas final.
O fim da Playboy não se dá simplesmente a esta geração de internautas que não saboreiam mais uma boa preliminar punhetística, dá-se também aos fins dos pelos pubianos em publicações eróticas.
Nunca mais tive uma boa conversa sobre a depilação da edição de maio, ou julho.
Chega ao fim a geração "páginas grudadas", chega ao fim os posters, chega ao fim as coleções de Playboy. E definitivamente assume uma geração explícita sexualmente, em que não teve as noites de sexta-feira esperando um pseudo sexo de Emanuele, e ao fim aos que sabiam apreciar pelos pubianos.

Estará sempre guardado em minha memória e meu guarda roupaMaitêProença, Carla Peres, Adriane GalisteuALESSANDRA NEGRINE E FLÁVIAALESSANDRA.

Bons momentos tivemos juntos.
Estou me sentindo meio viúvo

As vezes penso o quão pouco é preciso para me fazer gargalhar. 
No meio da gargalhada me pego tentando ver como sou idiota por rir desta maneira e por tão pouco. 
Idiota é quem segura o riso, e espera muita até mesmo para sorrir. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013


Saravá Minha Mãe!

Uma amiga macumbeira, mas sabe aquelas bem macumbeira, que tem até terreiro em casa, terreiro como de antigamente, pouca gente, gente boa, gente que se conhece que se olha no olho e se abraçam ao chegar e ao sair.
Então, esta amiga em determinado dia da semana faz com seu grupo de amigos uma gira de umbanda em sua casa, lá chegando encontrasse um povo que vem tomar seu axé e sua bênção. Não só desta amiga, mas da casa em si, que ao entrar já se sente os bons ventos do local.
Nestes encontros de fé, em seu quintal de terreiro, existe três bons batuqueiros, puxando o tambor durante as giras. É uma gira cantada e tocada, bonita, serena e com muito amor.
Porém é uma gira, uma gira feita no quintal, por respeito aos vizinhos ela tem hora para começar e para terminar. Nesta gira, ao meu gosto, os meninos dos tambores fazem um batuque bonito, um som digno de uma gira, um som que entra nos seus ouvidos e quando se olha em volta, há uma porção de gente balançando seus corpos que por muitas vezes nem notam que estão a balançar. E os batuques, os tambores que começam baixinho em uma reza, vão crescendo e ganhando corpo ao começarem os pontos. E com o calor da gira, o som e os cantos, as vozes também vão aumentando, vão subindo os volumes, e como este encontro é semanal, o povo da gira até já se entrosaram, e ao som daqueles pontos que não param quase nunca, a não ser que a entidade solicite, eu sinto a grande missão e importância da energia da música dentro da umbanda.
Além deste lindo rito que acontece, existe uma preocupação em sermos discretos, mesmo com tambores e cantos a céu aberto, tentamos nos preocupar, pois é um bairro, que existem casas, famílias. Um bairro tradicional, em uma rua comum, quem em determinado dia acontece um encontro de fé de alguns amigos.
Mas a discrição é uma ilusão, pois com os cantos e os tambores, é óbvio que se escuta ao longe este encontro de fé.
E a prova disto, foi que nestes dias, esta amiga em seus afazeres domésticos, escutando seu sambinha habitual, na labuta do dia-a-dia de uma casa, escuta o tilintar da campainha, parou o que estava fazendo, foi até a sala, pegou sua chave, seus cachorros latindo no portão, um deles com síndrome de gato em cima do muro late para a vizinha que está parada em frente ao portão, bastante assustada com a cena inusitada de um cachorro em cima do muro.
Ela abre o portão, escuta um bom dia, e logo na seqüência uma pergunta inusitada: - Você é da umbanda? Ela responde que sim e na sequência, desembestadamente a vizinha já começa a despejar seus problemas com uma república de jovens ao lado de sua casa, e relata também suas últimas discussões pelas constantes festas na republica ao lado. E que nesta manhã, ao acordar, no muro havia uma despacho deixados pelos jovens e que ela estava preocupada com o que poderia representar aquele “trabaio” feito contra ela.
E solicitou que se possível, ela poderia ir até a casa desta vizinha, que morava mais ou menos a umas cinco casas acima. Ela prontamente aceitou o convite, pois o estado da vizinha em seu portão era tão exaltado que ela achou necessário ir ver sobre o que realmente se tratava.
A caminho da casa, a vizinha com sua voz amedrontada relatou todas as discussões que já tivera com os jovens da casa ao lado, chegou em seu portão, disse a tradicional frase “não “reparar na bagunça”, e foram até o fundo do quintal verificar sobre o que se tratava o tal despacho.
Ao se deparar com a cena, esta amiga que estava em sua pose de mãe de santo, não conseguiu se agüentar ao se deparar com despacho deixados pelos jovens, se é que assim se pode chamar com tais objetos. A vizinha incrédula com o ataque de riso olhava minha amiga sem entender nada e começou a fazer uma série de perguntas, a primeira e mais engraçada foi: - O que a batata significa?
O despacho em questão se tratava de uma batata, cravejadas com palitos de dentes, colocada em um copo quase cheio de água para que a batata começasse a brotar. A moça já meio sem graça pergunta se ela tinha certeza de aqueles objetos dispostos daquela maneira não se tratava de algo para fechar os caminhos ou para fazer mal a alguém. Com uma resposta curta interrompendo a crise de gargalhadas, ela responde que não se tratava de nada, o único trabalha que poderia representar aquela cena, seria o trabalho escolar solicitado pela professora de biologia, e caso aparecesse nos próximos dias um algodão molhado, embebido em água com um feijão no centro, que não se preocupasse, pois não passaria de um trabalho meramente escolar. Ao terminar de falar, se recompôs, pois já notava que a gargalhada era excessiva para a pobre moça já corada em sua frente.
Cenas engraçadas que podem ocorrer devido ao ecoar de tambores que gostaríamos que fossem discretos, mas que ecoam longe e que de certa forma certa forma trouxe segurança para um vizinha bater em uma porta desconhecida e solicitar auxilio mesmo que para uma batata com palitos de dentes e água.
Na casa desta amiga macumbeira, como ela mesma se chama, é exatamente isto. Os que a conhecem, vão porque confiam, porque sempre em seu trato e em seus esforços fez o que estava em seus alcances, e também pela máxima confiança que nela depositam, seja em qualquer esfera.
Os vizinhos já tomam conhecimentos da energia do local, não incomodam ou reclamam dos cantos e tambores, e até já pedem ajuda.
Os de fora vem chegando, cada dia chegam mais pessoas. Aquela pequena roda que tenho na lembrança, hoje já é uma grande gira, uma gira bonita, rezada, cantada, batucada pelos de coração bom que procuram naquela casa uma benção e um axé. Um axé que se ganha em cada abraço, em cada roda de uma boa conversa antes e após os acontecimentos macumbísticos, no dengo em forma de caldinho e em cada “até semana que vem”.
Este encontro de fé é regido por duas forças interessantes.Uma é a dona da casa, esta amiga, que sempre achei uma captadora e emissora de boas energias, energia que senti ao nosso primeiro encontro e que acredito que não nos conhecemos ali, naquele dia que tenho em lembrança, na verdade nos lembramos, nos reconhecemos de outra vida.
E aquela casa! A casa é o cenário perfeito.
Lembro do telefonema dado com as palavras: Achei minha casa!
Ao chegar na casa nova ela com um sorrisão no rosto dizendo: Não é igualzinha a casa do Baronesa? Só que melhor?
Os cachorros aos deleites com o enorme quintal, cavucando, e rolando na terra.
E nem passava em sua cabeça o que aquele quintal iria abrigar.
Nem se passava pela cabeça, de imediato, quantas ervas e plantas nasceriam e os fins que elas teriam, não se tinham noção da energia e das noites de magia que aconteceriam naquele quintal.
E neste cenário, se fez a construção da minha fé.
Eu tinha uma fé abalada por viver experiências em outras vertentes religiosas que não eram baseadas no que conheço agora. A fé que eu conhecia antes, não me servia, ela era uma fé obrigatória e que por um momento em minha vida eu resolvi negar. Ao conhecer uma fé baseada no amor, na caridade, no bem-querer, reconheci minha fé e meu povo, encontrei o meu lugar.
Foi com esta amiga em seu quintal que encontrei minha fé, e ainda é com ela e no mesmo quintal que venho a cada semana, a cada encontro, tentando melhorar como pessoa, melhorar meu conhecimentos em Deus, melhorar meu julgamento, meu olhar sobre o mundo, e meu amor sobre meus irmãos.
Eu conheci através de uma amiga o significado da fé, e hoje sou muito grato a ela por me mostrar que dentre todos os caminhos, eu também tinha o meu.

Saravá Minha Mãe!
Aprendendo a rezar

Estou com essa esquizofrenia gostosa de andar rezando
De lá pra cá, de cá pra lá, varrendo o chão ou cozinhando
Dando boa noite e bom dia, pedindo licença pra entrar
Saudação ao sair, sabendo que tem um povo a me acompanhar
Descobri que se o mundo é redondo ele tem que girar
Olho pra cima, peço axé, abaixo a cabeça para firmar
Paro de frente, abro os braços, e peço saravá
Abre as mãos, os olhos se fecham e começam o trabaiá
Na minha fé a reza é bonita, a reza é cantada e de palma na mão
E feita uma roda, de pessoas e almas, tudo na mesma união
Rezamos por nós, pelos que nos acompanham, por luz e por paz
Recebendo a bênção, pedindo limpeza as forças dos orixás
Em corpo presente peço as almas, a sabedoria dos Pretos
Não só dos velhos, também as crianças e dos caboclos
Batedores dos ombros saudou as entidades e dizemos saravá
E na terça que vem, irmãos se abraçam e continuamos a cantar

Relato do Cotidiano

Água fervendo,  estendo o braço despejando água quente no pó de café, o cheiro do café me deixa com vontade de um pão francês com manteiga.
Vou a carteira, pego dois reais,  coloco uma camiseta,  procuro o tênis, debaixo do sofá,  abaixo,  tá lá no fundo, cadê o chinelo, não sei, vou até o quarto,  não acho, olho para dentro do guarda roupa,  acho a papete,  me vem a cabeça “somente até a padaria,  não tem problema ir de papete”.
Subo a rua,  entro na padaria,  na fila tem uma bela mulher, nos demos bom dia,  ela pega seu saco de pão,  nos sorrimos, ela foi em direção ao caixa, dou uma olhadela para trás, olhar 43,  outro sorriso, tímida ela olha para baixo, em questões de milésimos de segundo sua face se transforma, faz uma careta de canto de boca, eu saí um grito de dentro de mim quase inconsciente.
- Só coloquei a papete porque não achei o tênis!  
Ela responde com uma fala apenas labial e um balançar de cabeça negativo: - Mas você tem papete!
Um dia a piada acaba
O humor se esgota
O sorriso seca
A vida volta
Lágrima cai
Realidade machuca

No outro dia o sorriso volta
As lagrimas secam
O humor transborda
As piadas voltam  
Realidade o inspira
E a vida …
Impulsivo em meus atos impensados
Caso caos em meus pequenos planos
Desato meu sonho em olhos abertos
E nem sempre o que vejo será um fato

Meus sentidos não são exatos

Se funde em seu olfato
Aguçando em minha língua seu gosto
Em oposto lados escuto em meus ouvidos úmidos
Seu desejo mais exposto sem espanto
Toque arrepia sua pele sinto em leve tato
De todos os sentidos só realmente confio
No singelo olhar!
Mesmo em impulsos impensados
Sempre nos olhos estarão os fatos
Eu acho o beija-flor o animal mais poético de toda fauna.
Voando, incerto, parado em movimento.
Beijando uma flor aqui, outra ali.
Até seu nome é poesia...
Beija-Flor

Certeza


Eu não gosto do talvez
Desprezo e não admiro a incerteza
Não nasci para a Incerto
Eu gosto da certeza
Seja ela um um triste não
ou, acompanhado de um sorridente sim
Consigo conviver com a certeza do não
Ao viver com a dúvida eterna do sim


Dispa-se 
Dispa-se dos seus medos
Vista-se do seu melhor sorriso.
Tire essa dor
Calce a alegria
Guarde seu rancor
Distribua seu perdão
Recicle suas angústias
Transforme-a em esperança
Lembre do ontem
Planeje o amanha
E viva o hoje
Sinta o ódio
Afinal, ele é o amor magoado
Não viva magoado
Transborde sorrisos
Sorrisos com todos os dentes
Ser for abraçar
Que seja de braços e peito abertos 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Respeito ao ouvido alheio

Caramba,
Cadê o respeito ao ouvido alheio?
Porque o cara ao lado acho que tenho que gostar da música que ele gosta?
E porque o cara do lado dele tenta colocar o som mais alto para encobrir o som do carro do lado.
Não existe a lei do silêncio, uma lei que limita o volume de som?
Uma caminhada tranquila pela praia é algo impraticável, apenas ouvindo o som do mar. Puro luxo!
Sempre há uma melodia repetitiva enaltecendo o popozão da popuzada e falando para ir até o chão. Ou poem a mão ali, desce a mãe para ali e da uma roladinha até o chão. Mas gosto dos gritos de incentivo dos cantores baianos, fazendo o multidão acreditar que consegue sair do chão.
Não acredite na possibilidade de um fone de ouvido. O humilde poder do seu pobre equipamento de som será vencido pela potente caixa de som do carro que está passando ao seu lado.
A palavra respeito, o conceito: o meu espaço termina quando começa o do outro. Bobagem!
Se não gosta do som alto, fique em casa. Se não houver um vizinho com um ótimo equipamento de som e um bom gosto musical, sorte sua.
Mas não acredite na pobre e doce ilusão do respeito ao ouvido alheio.

É uma tribo de habito parecidos entre seu membros.
Deixo uma questão.
Você já ouviu um rapaz, com seu carro rebaixado, insulfilmes nos vidros passar ao seu lado tocando um chico buarque, caetano veloso ou popularizando um pouco, até mesmo uma Ana Carolina?
Pois é!
São sempre os mesmo estilos de som.
E nós, que gostamos de uma boa melodia, uma boa letra e uma voz suave, que nos faça lembrar de algo bom. Aonde ficamos, como faremos?
Ficamos condenados ao mau gosto e a falta de educação dos alheios.
Não acho que deve haver um silêncio total na rua, que as pessoas não possam escutar sua músicas. Só acho que não tenho que conseguir escutar uma música que não quero escutar a dois quarteirões de distância somente porque o bonito do carro ao lado acha que seu equipamento de som deva estar ao máximo volume para demostrar sua masculinidade sonora em seu potente carro rebaixado.
Quando não há o bom senso geral, como na maioria das vezes não há. até porque se bom senso e respeito existe não seria necessário as leis e advogados. Seria necessário uma regulamentação e fiscalização sobre a limitação de volume de som.
Gente, respeito ao ouvido alheio.
Vamos ser civilizados.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Poeta, Poetinha...

Poeta, Poetinha...

Ontem assisti o documentário Vinicius.
Simplesmente um Gênio.
Um gênio não pelos poemas ou pelas músicas. Um gênio que sabia a importância de se conviver cercado por pessoas.
Pessoas que lhe serviam de inspiração para a vida.
E Vinicius era tão genial que quando não se cercava de outros gênios, fazia que os anônimos fossem gênios iguais a ele.
Um gênio popular, sem superexposição, sem ostentação, sem mais delongas podemos considerá-lo uma das melhores figuras do século XX no Brasil.
Observando o documentário, teve uma vida sem stress, apesar das tantas mulheres que teve.
Mulher muitas vezes contestadas, mas poucas vezes entendidas como chama da paixão pela sua poesia e alimento para inspiração.
Se fosse qualquer outro homem seria considerado um cafajeste, mas era Vinicius de Moraes, com um poema triste, ou um samba dizendo que amor só é bom se dor, tudo ficava certo, e ele com seu cão engarrafado continuava sua caminhada.
Agora com novas inspirações para sua obra.
Acima de tudo, um gênio.
Vinicius não foi o único gênio da música, temos tantos outros.
Mas esses gênio que cercavam Vinicius sempre tinham uma coisa em comum.
Eram Bon Vivant.
Eram bons de copos, adorava ficar horas em bares discutindo sobre música, ou simplesmente bebendo.
Esse era Vinicius de Moraes.
Um homem iluminado, iluminado pela poesia, pela música. Um homem perigoso, que faziam destas artes arma para sua sedução. Diga-se de passagem, que eram armas de destruição em massa no caso dele.
Quando encontramos pessoas como Vinicius, alguns pecados mortais passam a ser pequenas travessuras, passam a ser aventuras, deixam de ter importância e tornam-se corriqueiros.
Coisas que só semi-deuses conseguem.
Sim, Vinicius chegou a este patamar de semideus.
Os maiores ídolos da música popular brasileira, com mais de 30 anos de carreira o tem como ídolo. Nós meros ouvintes e fãs temos que colocá-lo no patamar de semideus.
Temos que cultuar Vinicius, pela importância de sua história, pela herança musical deixada.
Vinicius é fonte de inspiração, é a inveja saudável necessária para novos poetas.
Gênios como ele não pode deixar de ser lembrado um dia se quer nas rádios de todo o Brasil, temos que ensinar nas escolas com poesias de Vinicius, e de outros poetas nacionais.
Poesia deveria ser ensina, não como hoje em dia que mostram três ou quatros poemas para alunos do ensino médio pré vestibular. Mas na formação acadêmica das crianças, para serem adultos mais cultos, seres humanos pensantes, e não apenas mão de obra especializada.
Vinicius e Moraes é cultura, e dever-se-ia mostrar as crianças brincadeiras possíveis com as palavras.
Brincadeiras que o gênio Vinicius fez até o dia em que virou um imortal na memória da cultura brasileira.
E que ensina a todos uma lição: “que é melhor ser alegre o que ser triste”.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Nossos beijos, Jeitos, Cheiros e Peitos.

Nossos beijos, Jeitos, Cheiros e Peitos.
Gosto tanto dos Beijos
Gosto dos seus beijos
Que as vezes lhe calo com um beijo.
Um beijo do jeito que só você sabe dar,
Beijo com gosto de seu,
Sua assinatura nos seus lábios
Que hoje são meus
pelo primeiro gosto do primeiro beijo.

Não gosto só de você pelo beijo,
Gosto também pelo jeito.
Um outro tanto pelo cheiro,
Um bocado pelos peitos.
Meu Deus, faltei com o respeito.
Acho que não tenho jeito,
Mas por você eu me endireito.
Depois de tantos beijos,
Gostando do seu jeito,
Beijando tanto seus... Lábios.
Já sou seu homem.
E você minha mulher.
Isso eu não posso negar
Agora tudo mundo pode chorar,
Pois de você não quero largar.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Um cigarro por favor!

-Um maço de cigarros, por favor.
Senta-se no mesmo sofá de sempre, não consegue comprar seu maço de cigarros sem tomar um café.
Tem o mesmo pensamento todos os dias: - Só comprarei o maço e vou-me embora.
Mas ali sentado, fica esperando que algo diferente aconteça, algo que faria sua vida um pouco menos repetitiva, um novo acontecimento que o deixaria com um pouco mais de vontade de viver o dia seguinte.
E no dia seguinte um novo maço de cigarros no mesmo lugar, o mesmo café para o mesmo garçom, na mesma mesa e com a mesma quantidade de açúcar, o mesmo tempo sentado esperando algo acontecer, talvez lendo o jornal de ontem sem nem mesmo perceber que a revista em sua mão, era a mesma de anteontem.
Nem mesmo se atrevia a mudar o caminho percorrido todos os dias atrás do mesmo maço de cigarros, para tomar o mesmo café, na mesma mesa e servido pelo mesmo garçom que todos os dias perguntava: - O de sempre? E a resposta era sempre a mesma.
O sempre se repetia todos os dias.
Olhava para o lado e sempre tinha as mesmas pessoas, e todos os dias cumprimentavam-as com o mesmo balançar de cabeça e o mesmo leve sorriso no rosto fingindo estar sempre contente com a presença daquelas pessoas de sempre. Nos dias de finais de semana, para descontrair, ousava dar um leve aceno com as mãos para as pessoas que encontrava todos os dias.
O seu olhar no relógio era sempre exato, só olhava-o para ter a certeza de que não havia se atrasado, o movimento, uma olhadela, nem precisa fixar os olhos por muito tempo nos ponteiros. Tinha a mesma precisão de seu relógio suíço. Era a mesma hora de de ontem.
Sentado no mesmo lugar, pensava o mesmo pensamento todos os dias, e todos os dias chegava na mesma conclusão, e saia da posição de pensamentos de todos os dias e mudava-se para a posição de conclusivo de todos os pensamentos de sempre.
Conversava com as mesmas pessoas, as mesmas conversas, com as risadas de sempre e com as perguntas que já tinha respondido ontem e calava-se na mesma hora da conversa, questionando sempre as mesmas coisas, escutando as respostas da semana retrasada, para terminar um assunto que era discutido todos os dias. Para uma certa altura desse bate-papo de todos os dias, mudar de assunto. Sempre comentava uma notícia de ontem.
As novidades para ele não demoravam a se tornar o de sempre. As novidades já chegavam dois dias depois.
Sua dúvida de ontem era a mesma de hoje, sua vida é sempre a mesma desde ontem até amanhã.
E o seu amanhã é sempre igual ao ontem.
E quando olhava o anteontem, já sabia o que iria acontecer depois de amanhã.
Envolveu-se em uma bolha, uma bolha da sua vida.
A espera de que algo diferente acontecesse não o fazia notar que a brasa do seu cigarro, poderia furar essa bolha, vivia o seu dia-a-dia com a esperança de alguma novidade acontecer.
Mas no dia seguinte o seu cigarro acabou...
-Um maço de cigarros, por favor.

Colcha de retalhos humana

Sou um pouco de cada pessoas que amo.
Sou um catado de cada amigo que levo no peito.
Sou um resto das coisas que gosto.
Sou um mínimo de quem admiro.
Sou metade ilusão e outra metade razão.
Sou eu mesmo.
Sou os outros.
Sou verdade.
Sou mentira.
Sou existência.
Sou abstrato.
Sou real.
Sou surreal.
Sou o resto do que pensei ser.
Sou o ser do que resta de mim.
Sou a tentativa.
Sou o fracasso.
Sou o nascimento
Sou a dúvida da vida.
Sou o hospedeiro da doença.
Sou a vacina.
Sou a cura.
Sou a certeza da morte.
Sou certeza?
Sou dúvida.

O formato de vida é o mesmo formato do ar.

Sou a incerteza de um ser que nasceu com o destino de viver, dar cada passo na esperança de achar o que não sabe o que está procurando em uma vida que ainda não tem um sentido, mas que o final já está traçado como a de qualquer ser humano que habita o mesmo solo. Ser humano cujo qual já traçou o seu falso destino, da sua falsa certeza, do seu futuro branco e incerto do qual ele acha que tem o total controle e pode moldar como um bonequinho de massa, do qual podemos dar o formato que quisermos.
O formato de vida é o mesmo formato do ar.

Velhas Lembranças

Já mudamos de casa,
Mudamos de bairro,
Da nossa rua já saímos.

Mas retornamos as antigas lembranças:
- E lembra de como éramos felizes?


- Lembra da nossa velha casa?
- Era decorada com alegria.


Em nossa rua as peladas com os amigos,
- No bairro a nossa escola,
- ... olha, ali morou meu primeiro amor.


E a casa da vovó!
- Ainda vejo a cadeira do vovô,
- Passávamos tardes brincando com ele.


Quantos amigos tínhamos?
- Lembra, ficávamos em cima da mangueira.
- Nunca mais comi mangas tão gostosas.


E hoje?
- Não vemos mais infância?

Mas retornamos as antigas lembranças,
E lembra de como éramos felizes?

Homenagem ao São Painho

Esse foi mais que um bar. O São Painho, foi um lugar onde firmei minhas amizades com pessoas que tenho a certeza que estarão para sempre na minha vida. Não vou citar os nomes destas pessoas, cada uma sabe da sua importância.
No São Painho, aprendi a gostar ainda mais de música e amar ainda mais as noites.
Então, público hoje esse poema. Bateu no peito aquela saudade. Será que haverá outro lugar ou até mesmo parecido com o São Painho?

Homenagem ao São Painho

Quando o sol se põe
A lua nasce
As geladas iam para as mesas
Era a hora de ir para o São Painho


Lá era o lugar mais democrático do mundo
Só existia uma raça de pessoas.
Os boêmias!
Em busca da alegria, todos iam lá


Mas esse lugar ficará para sempre em nossos corações.
Tom, Vinícios, Baden e vários outros
Estavam sem lugar para bebericar e compor
Como tudo que é excelente só existe de passagem,

Vá São Painho

Assim fico mais tranquilo
Quando chegar a minha vez de partir.
Já sei que existirá um lugar
Onde eu possa sentar, beber e ser feliz.

Desapercebido

Anda meio distraído pela rua?
Todos temos muitos problemas, mas olhe uma vez para o seu lado!
É, tem uma criança ali sentada.
Você tem razão...Parece que ela está com fome, mas a sua resposta é quase sempre a mesma:
- Vou ficar te devendo, hoje eu não tenho trocado.
- Ai, eu tenho uma pena destas crianças pedindo coisas na rua.
Mas você segue indiferente a tudo que viu, e cinco minutos depois, estou sendo otimista arriscando um tempo tão alto.
- Você viu o meu Nike novo?
- Quanto custou?
Quase nada, só a escravidão de alguns trabalhadores, que por pura ironia do destino nunca terão dinheiro para comprar o tênis que fabricam, é uma escolha muito difícil de fazer. O tênis ou a comida?
Você preferiu seu tênis, porque aquele garoto do semáforo, que mais uma vez ficou sem comida vai escolher o tênis da próxima vez. Mas cuidado que pode ser o seu, ou o seu relógio, carro e quem sabe ele não entre na sua casa para escolher mais algumas coisinhas.
Agora ele é um marginal.
Mas ele tentou, procurou um emprego, mas não sabia escrever para preencher o formulário de inscrição, daí foi para o semáforo pedir dinheiro, mas escutou muito não, teve uma idéia: - Lavar o vidro dos carros parados no semáforo!
Mas a máfia já estava instalada, e quando tentou trabalhar apanhou por estar ocupando o lugar de outro.
Tentou ir para a escola, mas o pai disse que isso não daria futuro e o levou para trabalhar ainda criança.
A rua sempre foi melhor que sua casa, talvez por ter mais lugares para se esconder, num destes lugares escuros, onde vários iguais a ele se escondiam. Ali teve a sua primeira viagem, onde tudo o que viveu o levou a pensar em coisas que nunca havia passado pela sua cabeça. Assim como nas drogas, foi ali que ele pegou o primeiro revolver e viu o cara mais considerado da quebrada passar com um carrão com rodas bacanas e duas minas abraçadas com ele. E ali teve a dúvida de que sua vida, do modo em que estava não valeria a pena, e chegando em casa (na verdade um barraco feito de lona, porque o barraco que era feito de madeira foi levado na última enchente), olhou suas esperanças, jogadas no chão com um litro de cachaça nas mãos, e teve a certeza de que o revolver o tiraria daquela vida.
Aos quinze anos se tornou ladrão bem sucedido, sem apavoro chegava, fazia o que tinha que fazer e ia embora sem machucar ninguém.
Pronto, descobriu-se bom ladrão.
De tanto levar porrada ele decide um dia bater, escolhe a sociedade para saco de pancada, e a “sociedade cega” tenta revidar, sem nunca perceber que já bateu o suficiente para deixar marcar irreparáveis em um cidadão que hoje é um marginal, e essa “sociedade cega” que só tem olhos para o seu umbigo lipoaspirado e com um pircings, continua a bater e a deixar marcas em outros cidadãos.
Mas mesmo assim, quando você para em um semáforo, ainda fecha o vidro...

Paradoxo da paixão

Sua pele morena

Boca carnuda
Cabelos cacheados
Vermelho é a paixão



Desejo ardendo
Teus olhos fugindo
Sua boca disse não



Contrariedade aumenta vontade
Razão escuta um não
Desejo entende sim
E você foge de mim



Finjo que sou surdo
Você cega
Na teimosia vontade não cessa



Não me responde
Fico nervoso
Queria escutar um sim
E você repete não



O vermelho da raiva
E o mesmo da paixão
Mas não vou aceitar um não
Tudo começa em branco

Depois vem o preto, vermelho e o amarelo


E várias outras cores.


Mas tudo em cima do branco.

Parece que tudo mesmo vem do branco...

O branco é o começo de tudo,

Às vezes o branco é o final de tudo,

E quando da um branco.

O branco da paz,

Vermelho da paixão,

Amarelo do ouro,

Verde das matas...O azul do céu.

Na verdade o céu é branco,

As nuvens são manchas

De um borrão azul.


Mas todas essas cores em cima do branco.

A mais bela tela pintada

Pelo mais genial pintor

Com as mais variadas cores

Começa em uma tela branca.


Branco das noivas.

As noivas se vestem de branco

Não pela pureza,


Mas sim pelo começo de uma nova fase.

È.

Tudo realmente começa do branco.